e


Da política à saúde, Affonso surpreende
Marilena Braga


Ele é o autor da Lei do Vale – Transporte. A cada popular VT que o trabalhador brasileiro segura entre os dedos ou repassa como moeda corrente de acordo com sua necessidade, está a presença do deputado federal do Paraná Affonso Camargo , que comemorou , no último dia 29 de abril, 70 anos. Alardeou a data da tribuna da Câmara Federal, onde pronunciou dois discursos ( a série vai continuar) sobre Vida Saudável. Em meio à guerra política e de vaidades eleitorais que sustenta Brasília, os discursos do deputado paranaense fizeram um sucesso inusitado. Há muitos anos adepto convicto da filosofia de vida oriental, Affonso fez a apologia dos três As – Alimentação Correta, Atividade Física e Alegria de Viver.
Com a mesma liberdade com que se lançou candidato a presidente da República , em 1989 , ousadia que nenhum paranaense tinha tido antes, Affonso alertou que seu discurso poderia causar estranheza , “pois não falarei sobre CPIs, nem reforma política ou reforma tributária, nem sobre a praga da corrupção.Entretanto, acredito ser um tema mais do que urgente para todos nós, tanto aos nobres colegas quanto a nossos assessores que nos escutam nos gabinetes. Vou falar sobre Vida Saudável, pois viver mais e melhor é a aspiração de qualquer pessoa”.
A surpresa veio no parágrafo seguinte. Com uma aparência que o segura eternamente na casa dos 50, o deputado anunciou tranquilamente: “Para aqueles que não sabem, eu estarei completando 70 anos de idade cronológica. Graças a Deus e ao conhecimento que venho adquirindo sobre o que é e como conseguir a saúde verdadeira, acredito estar melhorando cada vez mais. O Gabriel, meu filho de apenas 2 anos, é um exemplo concreto de minhas palavras. Acredito que possa, mesmo, sem nenhum exagero, chegar à condição de um jovem centenário”.

A receita bem sucedida de Affonso

Previnidos sobre o tema que iriam ouvir, os deputados presentes ao plenário relaxaram e aproveitaram os ensinamentos do deputado paranaense, retirados das pesquisas do médico indiano Deepak Chopra, “que em seu livro “Corpo Sem Idade, Mente Sem Fronteiras”, refere-se a três idades do ser humano, que são a cronológica, a biológica e a psicológica. A idade cronológica é a única fixa, mas a menos confiável. Uma pessoa de 50 anos pode ser tão saudável como aos 25, enquanto que outra de 50 pode ter um corpo de 60 ou até mesmo de 70 anos.
A idade biológica nos diz como o tempo afetou nossos órgãos e tecidos , comparado com outras pessoas de nossa idade cronológica. E a idade psicológica é aquela que sentimos ter. Ela está intimamente relacionada com nossa maneira de pensar e de sentir, podendo inclusive influenciar fortemente a idade biológica, interferindo na lógica do tempo comum, tornando nossa energia pessoal mais forte, nosso organismo mais harmônico e a aparência de nosso corpo mais saudável”.





E prosseguiu o deputado Affonso Camargo: “Assim, posso dizer que aquilo que mostramos através da aparência física é resultado de nossa maneira de ser positiva ou negativa, de nossa alegria, otimismo e vontade de viver ou de nossa depressão, ansiedade e medo da existência. Para alcançar o melhor caminho e tornar bem compreensível aquilo que chamo de Vida Saudável, costumo usar a didática das três letras “A”. O primeiro “A”é de Alimentação correta, baseada no equilíbrio energético e nutricional e, o mais possível, isenta de venenos , gorduras e produtos de origem animal, fontes de doenças cardiovasculares, obesidade e câncer, entre outros problemas degenerativos.
Outras moléstias podem ser curadas com o uso de ervas e produtos naturais de custo muito reduzido. Todos nós conhecemos exemplos de plantas e chás eficientes para vários problemas”.

Atividade e Alegria de viver

A resumida lição do deputado Affonso Camargo prosseguiu, com uma platéia atenta e que, ao final, pediu cópias para tentar seguir a filosofia da juventude de corpo e mente: “O segundo “A” refere-se à atividade física prazerosa como caminhada, alongamento, ciclismo e outras práticas agradáveis a pessoas de qualquer idade. Com toda a certeza a convivência com o meio ambiente natural é outro fator principal para que sejamos mais felizes , por isso, se a prática da caminhada na natureza for possível, melhor será para nós.
Na antiga China, o Tao Te Ching proclamava que : Tudo o que for flexível e fluente tende a crescer, tudo o que for rígido e bloqueado definha e morre... Acredito firmemente nisso , pois está relacionado com o terceiro “A” de Alegria de Viver, que é o estado natural de todo ser vivo. Quando estamos tristes estamos doentes da alma e podemos acabar comprometendo nossa estrutura psicofísica. Para despertarmos essa Alegria de viver é profundamente necessário que evitemos emoções pesadas como culpa, perda, raiva, medo e, principalmente, o medo da morte, que é um dos piores fantasmas de nossa existência.
Infelizmente, por problemas de falta de renda, emprego e informação, a maioria de nossos irmãos brasileiros ainda não tem acesso a essas três letras “A”, que julgo indispensáveis para a promoção e manutenção da verdadeira saúde. Imaginem os ilustres colegas se, ao invés de um Ministério da Doença, totalmente envolvido com o pagamento de contas dos hospitais e comprometido apenas com a cura dos sintomas, tivéssemos no Brasil um autêntico Ministério da Saúde, cuja atividade primordial estimulasse a promoção da Saúde, através desses três “As”.
Imaginem se nossos médicos, como acontece em algumas regiões da China, ganhassem mais não com um número maior de consultas a doentes, mas da quantidade de pessoas saudáveis sob sua responsabilidade. Certamente, dessa forma, estaríamos percorrendo um novo caminho, muito mais justo, fraterno e verdadeiro . Estas idéias indicam caminhos alternativos para a Saúde Pública no Brasil, principalmente na prevenção de doenças. Isso pode ser feito tanto pelo governo como pelas organizações privadas.
Cito, por oportuno, as palavras de Mahatma Gandhi, ao dizer que “uma mentira não se torna verdade porque muitas pessoas nela acreditam e que uma verdade não se torna mentirosa por muitas pessoas a desconhecerem”. E finalizo fazendo uma consulta aos que me ouviram. Pergunto se vale a pena, em novas oportunidades, abordarmos esse assunto tão atípico para o nosso parlamento?”
A resposta dos surpresos ouvintes do plenário da Câmara Federal foi pedir mais. Na edição da próxima terça-feira Fortuna e Virtude reproduz o pronunciamento de Affonso Camargo sobre Alimentação Correta .



Marilena Wolf de Mello Braga é jornalista e empresária em Curitiba, diretora da Prima Donna Marketing Pessoal, Textos e Informação . Criou e edita o jornal Fortuna e Virtude, exclusivo para a Internet.

Affonsinho, o zen, o enigma, o estratégico

Ele é a presença mais nacional dos políticos paranaenses. Com quase 50 anos de atividade política, começou no extinto PDC – Partido Democrático Cristão, que presidiu no Paraná. Foi vice-governador no primeiro governo de Ney Braga , antes do golpe militar de 64. Tentou ser candidato ao governo do Paraná, em 65, mas perdeu na convenção partidária para Paulo Pimentel. Candidatou-se ao Senado pelo MDB, em 66, perdendo para Ney Braga por larga margem de votos. De antigo ideológico do PDC de esquerda mudou para a Arena, no regime bipartidário. Foi secretário da Fazenda no governo nomeado de Emílio Gomes, em 73. Na época, os inimigos políticos o chamavam de Macunaíma das Araucárias.
Seguiu adiante no seu roteiro político. Foi nomeado senador biônico e, em Brasília, passou a ser o nome visível da política paranaense. Voltou ao Senado em 86, eleito por voto direto para um mandato de oito anos . Nesse período o governo federal voltou a ser civil, com a eleição de Tancredo Neves presidente da República, pelo Colégio Eleitoral, em 85. Affonso Camargo era o articulador político próximo a Tancredo , acomodando os futuros ministérios. Assumiu José Sarney , o vice, com a morte de Tancredo. Affonso deveria ter ficado com a Casa Civil do governo Tancredo Neves, mas assumiu, com Sarney, o Ministério dos Transportes.
Foi a época em que criou o Vale- Transporte, senha trabalhista e única contribuição direta dos paranaenses nos direitos do trabalhador. Senador no ano seguinte, transformou o benefício em lei. Em 1989 candidatou-se, pelo PTB, à presidência da República. Apoiou Fernando Collor no segundo turno e foi seu ministro das Comunicações. De volta ao Senado, votou contra o impeachment do então presidente. A história política de Affonso Camargo continuou. Em 94 elegeu-se deputado federal do Paraná pelo PFL e em 98 reelegeu-se com 78.370 votos.
Seu último movimento político, também surpreendente, foi lançar o governador do Paraná, Jaime Lerner, candidato à presidência da República, como forma de pacificar o PFL local , desunido e à beira do esfacelamento partidário. Os ecos da ação de Affonso ainda estão por vir. O que pensa Affonso Camargo nunca é muito claro para os que não fazem da política uma ciência aplicada
.