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Na falta de ação política, reação social
Marilena Braga


Ninguém mais se preocupa ou se entusiasma com o governo. Quando os problemas doem no bolso, não há discurso político que convença. Na avaliação do Instituto Vox Populi o presidente da República perdeu a confiança de 81 por cento dos brasileiros, que consideram seu governo de regular a péssimo. Apenas 17 por cento ainda opinam que está o país em boas mãos. Dois por cento do total dos brasileiros não têm a menor idéia do que acontece. O presidente Fernando Henrique não está mais no centro da vida nacional. É figurativo e descartável, aos olhos da população economicamente ativa , tanto a produtora como a geradora de produção, mão-de-obra organizada cada vez mais.
Nenhum demérito ao Presidente, a não ser o pouco caso que fez da inteligência do povo que o elegeu. Esperaram os brasileiros demais do poder político, desinformados de que esse poder nada pode , permanentemente, se não houver uma base econômica sólida para sustentá-lo. Como não havia , a decepção pegou os incautos em cheio. Passado o período aturdido de refazer as contas, saem os brasileiros ao encontro de uma fórmula própria de sobrevivência, doutores nessa questão, do mais pobre ao mais rico. A responsabilidade do tumulto financeiro atual ( com governos estaduais lutando para sobreviver – a doce vida acabou – facções políticas se unindo em busca do poder futuro – em quatro meses de segundo mandato do Presidente só se fala hoje no seu sucessor, população achando soluções criativas para produzir dinheiro, que sumiu de todos os bolsos ) cabe aos que investiram em mascarar a realidade brasileira ao longo do ano de 1998.
Estão os brasileiros de frente com um dos mais sérios problemas já enfrentados na irregular vida econômica do país. E estão sozinhos. Não há sinais de movimentação política para trazer , em curto prazo, de volta os empregos e a produção. Ficaram ao desabrigo tanto patrões como assalariados. A classe política sai à caça de provas da corrupção nas instituições que regem o dinheiro do país, e, por se envolver nesse tema – alguns tentando mostrar o que têm certeza de existir, outros tentando esconder o que receiam seja descoberto – não sobra inteligência para prover o outro lado, o do desenvolvimento. Que só virá com reforma eleitoral, reforma fiscal, respeito à autonomia dos estados, reencontro com os compromissos nacionais. De tanto pouco fazer, a classe política exauriu-se com o volume de trabalho atual. A população brasileira, não. Sai fortalecida e imunizada para o futuro. Sabe que se inteligência é capacidade de resolver problemas, nada tem a temer.


Marilena Wolf de Mello Braga é jornalista e empresária em Curitiba, diretora da Prima Donna Marketing Pessoal, Textos e Informação . Criou e edita o jornal Fortuna e Virtude, exclusivo para a Internet.