Quando brigam as comadres...
Marilena Braga

Ministro que não der conta do recado político não fica no governo, disse o presidente da República, quando assumiu o segundo mandato e fez algumas mudanças no ministério. Na última quarta-feira, dia 9, juntou todos de novo e deu um pito coletivo nos mal comportados. Qual a razão de todos brigarem entre si não vem ao caso. Polícia federal acéfala por quatro meses, verbas da saúde pagando serviços em duplicidade, funcionários públicos de novo contra a parede, a imprensa toda açoitando com palavras de efeito e conjecturas maldosas o Presidente, tudo isso é banal , usual. O que incomoda o presidente Fernando Henrique é a briga, os desaforos públicos , a falta de compostura de seu ministério.

Tem razão o Presidente. A fase do grito é muito pior que a dos cochichos . As pessoas começam a gritar quando estão pensando muito alto ou quando estão com um medo danado. O grito é sinal de comando ou de descontrole. Das duas formas fica o Presidente comprometido. Se a sua equipe fala mais alto que ele, ou se apavora a ponto de demonstrar que desconsidera o governo, resta-lhe nada. Hora de trocar o ministério, vai concluir. Mas trocar quem por quem? No Brasil, quando o país vai mal, todos desistem dele. Não há o que na área de Recursos Humanos ­ em alta atualmente, pois o Brasil quer aprender depressa o que fez questão de não ver por anos ­ se chama de "time", um conjunto de pessoas com características diferentes e excelentes resultados.Com um time clonado, o Presidente não governa.

O mais grave é que o jogo da sucessão de Fernando Henrique já começou. O país provou na prática que reeleição não agrada. Quer variedade. Começaram as campanhas para 2002 os nomes que desejam a presidência e os que desejam os governos estaduais . E o discurso de todos é contestatório, se não direta, veladamente, no caso dos que se apresentam por partidos de apoio ao atual Presidente ou até mesmo do partido dele, o PSDB. Com amigos assim, ninguém precisa de inimigos. Tanto, que os inimigos declarados se retraíram. Estão deixando que a própria equipe do governo e os políticos ditos aliados se encarreguem de acabar com um equívoco que foi longo demais.