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< capa da edição de 15 de janeiro de 1999




O dólar sem valor do pequeno investidor.

O mercado de dólar paralelo ­ chamado pelos operadores de mercado flutuante turismo ­ esteve parado no dia 15, em Curitiba. Depois da notícia de que em Foz do Iguaçu, no comércio da fronteira, o real estava sendo aceito por 1 dólar e 55 centavos, as cerca de dez agências de câmbio paralelo da capital tiveram seus telefones tocando com frequência. Mas não fizeram movimento. "Como não tem dinheiro na praça, não tem negócio", simplificava um agente de câmbio, anexo a uma das agências de turismo mais procuradas da cidade. "Comprando, não tem ninguém. Vendendo, até que tem". A quanto? R$ 1,25 para compra e R$ 1,60 para venda.

A disparidade espanta, a primeira vista. Mas a explicação, como em qualquer mercado financeiro, tem lógica. A do lucro em cima do risco. Como antes do dia 13 os doleiros estavam comprando dólares numa média entre 1,23 a 1,25 ( só em quantidades razoáveis ) e vendendo a um teto pouco acima disso, não podem, agora, comprar por preço acima do que venderam. A maioria deles gira 200 mil dólares entre compra e venda. Se acompanham os preços puxados lá para cima , fecham com menos. Querem comprar? R$ 1,60 por um dólar. Querem vender? R$ 1,25 por dólar negociado. A moeda americana pesou na mão dos cambistas do paralelo.

Dos quinhentos clientes anteriores que os banqueiros do dólar paralelo tinham, no início do real, sobraram cem , voltados para o turismo. Poucos se mantiveram na atividade. Só os que podiam bancar a concorrência. Agora estão com as reservas paradas. "Tudo é chute, hoje em dia", confirmava um deles. Enquanto esperam, compram o que podem. Comprar barato é lucro. Vender, por ora, não fazem questão.


Turismo adiado. O dólar encolhe o passeio

O valor das passagens aéreas internacionais não se alterou. Mas o dólar esteve cotado, no dia 15, em 1,48.5, o que faz com que muitos que programaram viagens refaçam os roteiros e diminuam o tempo de estada fora do país. As empresas aéreas não sabem precisar como o dólar vai se comportar nos próximos dias, e não acenam com perspectivas de baixa. Nos pacotes turísticos, informam as operadoras do setor , para quem já comprou nada muda. O que vai pesar é o dólar excedente para despesas paralelas aos pacotes, já que a maioria dos passeios é opcional. Em cada viagem nas excusões populares ao exterior os operadores de turismo recomendam, a quem pretende um mínimo de conforto e aproveitamento , 2.500 dólares a mais para despesas avulsas, como passeios, alimentação e atividades culturais













Cartões de crédito,
o débito futuro.


No dia 15 as
operadoras de cartões
de crédito estavam
cotando o dólar a R$ 1,48.
Quem tivesse o
fechamento do cartão
nessa data teria suas
compras em dólar
convertidas a esse valor.
Os sacoleiros de luxo - se
comparados com os
de Ciudad del Este ,
no Paraguai - faziam as
contas de quanto
acrescentar nos produtos
comprados nas pontas
de estoque de Nova York
e Nova Jersey .
Um mercado quase
exclusivamente feminino,
a alta do dólar sacode o
sutil comércio da vaidade.