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< capa da edição de 16 de março de 1999




Semeando as letras no campo.
Ricardo Voigt

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) é um projeto do governo federal em parceria com universidades, movimentos sociais rurais e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, que tem como objetivo principal levar educação aos assentamentos de reforma agrária e contribuir com o desenvolvimento rural sustentável no Brasil. Numa primeira fase de liberação de recursos, em agosto de 1998, as atividades foram iniciadas em oito estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe. Os outros estados aguardam pela liberação de verbas.

No Paraná, uma aliança entre a Universidade Federal do Paraná ­ UFPR, Universidade Estadual de Ponta Grossa ­ UEPG e Fundação Faculdade de Ciências Humanas de Francisco Beltrão ­ FACIBEL, está sendo responsável pela aplicação do PRONERA nos assentamentos da região sul do estado. Cumprindo a primeira etapa do projeto, orçado em 255 mil reais e com duração de um ano, estão sendo alfabetizados 800 trabalhadores rurais, entre jovens e adultos, nos assentamentos de Francisco Beltrão, Marmeleiro, Bituruna, General Carneiro, Inácio Martins, Teixeira Soares, Fernandes Pinheiro, Imbaú e Castro. "O ensino é passado aos alunos através de 40 monitores-educadores, representantes dos próprios assentamentos que foram treinados e capacitados a ensinar. Esta capacitação pedagógica dos monitores foi realizada por professores e alunos dos cursos de pós-graduação das universidades envolvidas", relata a professora Sônia Fátima Schwentler, da UFPR, que participa da comissão pedagógica do programa.

Luta pela educação

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST tem, ao longo de sua história, levantado questões sobre o processo de escolarização nos assentamentos. Questões que surgiram a partir da compreensão de que aliada à luta pela terra está também a luta pela educação, que é compreendida como um dos elementos essenciais no desenvolvimento destas sociedades. Para o participante do MST, Pedro Tierra, "investir em educação é tão importante quanto o gesto de ocupar a terra,"um gesto, aliás que se encontra no cerne da pedagogia do movimento. Nos assentamentos, educar é o aprendizado coletivo das possibilidades da vida .
O grande desafio da Reforma Agrária está em garantir a viabilidade econômica dos assentamentos, pois não basta dar a terra, como está escrito no documento da Presidência da República, sobre o assunto. O mercado agrícola se tornou mais exigente, e se torna imprescindível a qualificação profissional, onde a realidade apresenta índices inaceitáveis. Segundo o I Censo da Reforma Agrária/97, o índice de analfabetismo em nível nacional encontra-se em 42% e no estado do Paraná, 19%.

Ricardo Voigt é jornalista.