O Boicote a Woody Allen
Paulo Polzonoff Jr.


É inexplicável o boicote a Woody Allen no Brasil. Considerado por muitos o maior diretor americano vivo, Woody Allen está tendo seus filmes sistematicamente ignorados pelas distribuidoras.
Woody Allen dispensa aqui maiores esclarecimentos a respeito de sua carreira como cineasta. Basta dizer, para os que duvidam da importância do diretor, que seus filmes foram indicados a nada menos do que 20 Oscars (se é que se pode ter o Oscar como indicador de qualidade, mas isto é outra história),
tendo ganho 3 estatuetas (as quais, logicamente, não foi receber). Apesar deste currículo, os últimos dois filmes de Woody Allen, Desconstructing Harry (1997) e Celebrity (1998), não foram exibidos no Brasil -- e, pelo jeito, nem nunca vão ser.

A desculpa da distribuidora, PlayArt, é a falta de espectadores para o tipo de filme que Allen produz. Balela. Seu último filme exibido por aqui, Todos Dizem eu Te Amo (1996), teve o mesmo público do superestimado O que é isso, Companheiro?, de Bruno Barreto. Além disso, filmes de diretores muito menos prestigiados do que Allen e com um público muitíssimo inferior a este, como os supervalorizados iranianos Jafar Panahi e Abbas Kiarostami, ficaram semanas em cartaz e já foram até lançados em vídeo.

Desconstructing Harry é a história de Harry Block, um escritor de sucesso cuja tendência a relatar em seus livros suas próprias experiências (e a dos amigos), faz com que ele seja odiado por todos. O filme foi considerado um dos melhores de Allen, tendo sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. O filme está disponível no Brasil em algumas locadoras, mas só em DVD e em inglês.

Já Celebrity, que contou com uma participação especial do astro do momento, Leonardo di Caprio, conta a história de Lee Simon, um jornalista fracassado e aspirante a escritor, que tenta entrar no fascinante mundo das celebridades. Quando consegue ser aceito entre os ricos, bonitos e famosos, alcança também o sucesso e percebe o quão decepcionante é ser uma celebridade. O filme, lançado nos EUA há quase um ano, não tem previsão de estrear aqui.

Não são só os filmes de Allen que enfrentam este problema. Neil Jordan, com seu premiado The Butcher Boy, baseado no livro do também premiado Patrick McCabe (que saiu por aqui com o título Nó na Garganta, Editora Casa Amarela), ainda não chegou nem aos cinemas nem às locadoras. É esperar para não ver.

PAULO POLZONOFF JR é estudante de Jornalismo e colaborador de outros Veículos exclusivos para a Internet.