< Voltar para o jornal do dia
< capa da edição de 27 de março de 1999



"Curitiba, cidade para todos".
Marilena Braga

Curitiba faz 306 anos nesta segunda-feira. Sob a administração de Cássio Taniguchi não será tão festejada. A parcimônia faz parte do temperamento do prefeito . Nem mesmo o eufórico ministro do Esporte e Turismo , Rafael Greca, ex-prefeito da cidade, promete estar presente . Em programa de entrevista na Rede Vida ( Rafael vai a tudo, não perde espaço que lhe oferecem) lamentava que teria de estar, neste dia 29 de março, em Manaus. Obrigações de ministro.

O aniversário da cidade não tem grandes marcos a comemorar. Absorvido em administrar a região metropolitana de Curitiba, coalhada de indústrias multinacionais, sobrou pouco para que o prefeito cumprisse suas metas de governo. Há um ano e meio das eleições para a escolha de seu sucessor ­ que pode ser ele mesmo, se for mantida na lei eleitoral a possibilidade de reeleição em todos os níveis administrativos ­ ainda está o prefeito devendo a Curitiba a BR-Cidade, um projeto que se arrasta por diversas administrações, buscando integrar a Curitiba que vive do outro lado da BR-116 , cerca de 47 por cento da população da capital. Somada essa dívida com a população à incapacidade de resolver os problemas das enchentes na região sul da cidade -­e agora novamente na região central ­ fica o prefeito com muito trabalho para o ano final de seu mandato.

Mas Curitiba continua bonita, agradável, discreta e adequada para sua população cativa de pequena classe média. Uma cidade provinciana na medida em que se propagandeia pela qualidade de vida. Uma cidade cativante quando se assume na história de seus 306 anos , seus parques democráticos em cada bairro, sua vocação familiar e restrita, sua cultura muito própria e suas manifestações literárias que brotam extemporâneas. Curitiba tem muitas idéias. Todas estão sendo postas em prática no devido tempo. A estrutura da cidade é ideal. É preciso agora estruturar seu povo, pesquisar quem é, pois o curitibano da atualidade nada tem em comum com o de duas gerações passadas. O crescimento da periferia desenhou outro tipo de habitante. Majoritário e característico da mudança de conceitos quanto a necessidades e prioridades.

Aproveito para dar um voto de apoio ao Cid Destefani, fotógrafo colecionador da história da cidade: o prédio da Universidade Federal do Paraná é sim o símbolo da cidade. Os parques surgiram depois , os acrílicos são invasões que o tempo vai consumir, os marcos étnicos são recentes. Mas o prédio da UFPR é permanente. Cobrei pela imprensa tradicional o restauro do que chamei o nosso maior farol do saber. O então prefeito Rafael Greca atendeu e o atual prefeito Cassio Taniguchi terminou a reforma começada. Se duas administrações se envolveram para devolver ao prédio a majestade perdida , é porque ele é maior do que as dificuldades.

Vizinho do Teatro Guaíra, outro marco da cultura de Curitiba, separados pela praça mais democrática da cidade ( não é na Santos Andrade que se faz teatro, natal ao ar livre, concentrações de passeatas ? ) o prédio da Universidade Federal do Paraná é a cara de Curitiba. Um momumento de amor e determinação, que só se reparte com as pessoas mais fiéis à alma da cidade.