O retorno a uma questão delicada.

A Estrada do Colono não é um assunto localizado. Ao contrário do que se pensa, sua permanência ou extinção definitiva mexe com a economia de uma extensa região, a que se diz mais órfã nas decisões estaduais. A fronteira Oeste-Sudoeste já tentou até movimentos separatistas , na tentativa de instalar o Estado do Iguaçu. A idéia morreu definitivamente, mas os problemas não. Região produtora de soja, milho, trigo, algodão, feijão. Em menor escala arroz, mandioca, fumo, amendoim e mamona. Uma pecuária expressiva em rebanhos suínos ­ o maior produtor do Estado ­ e bovinos. A fronteira extrema do Paraná não se conforma com o isolamento de seus municípios, antes ligados pela Estrada do Colono. A economia regional decresceu, cidades encolheram e a estagnação perdura há mais de dez anos.

Situado numa zona de transição de floresta tropical e subtropical, o Parque Nacional do Iguaçu abriga perobas, ipês, cedros, palmitos, araucárias, palmeiras e uma variedade enorme de árvores que florescem à sombra da mata.A fauna do Parque apresenta várias espécies, algumas em extinção, como a onça pintada, o tamanduá bandeira, o macuco, a jacutinga , a anta e os beija-flores.
Habitantes da floresta são também o veado, as jaguatiricas, guarás, ariranhas, guaximins, pacas, preguiças, macacos, tucanos, papagaios, nambus, sabiás, corujas, bem-te-vis, tico-ticos, quero-queros. Ainda tatus, preás, cachorros do mato, lagartos, lagartixas, jabutis, tartarugas, sapos, rãs , peixes. Uma variedade grande de insentos e serpentes como a cascavel, coral, urutu e jararaca.


O entardecer - Foto: Denis Ferreira Netto

A preservação dessa reserva ecológica é ponto de honra para seus defensores. Por ela foram ao debate, aos veículos de comunicação, aos tribunais. Minaram os esforços políticos, sobrepujaram os interesses estaduais e atropelaram outro elemento tão forte quanto a natureza: o homem. Mas não são eles os vilões do episódio. Cabe à própria estrutura cultural brasileira a maior culpa. O desconhecimento da natureza, da extrema dependência da humanidade em relação a ela, dos ciclos vitais da terra a sustentar a vida humana, formou uma barreira de desconfiança do comportamento do homem frente ao ambiente que o circunda.

Entre dezessete quilômetros de uma estrada para o transporte de riquezas e o perceptível perigo da destruição de um ecossistema, a Justiça ficou com o segundo. Um reflexo de que o estágio cultural brasileiro não merece confiança.


Quati - um dos habitantes
do Parque Nacional.


Salto do Macuco
Foto: Denis Ferreira Netto


A Estrada do Colono é uma
questão ímpar. É tavez o único
caminho brasileiro travado ao desenvolvimento humano,
à cultura, às forças produtivas,
à integração estadual, para
não abafar o grito das corujas, a perpetuação das espécies, a
estabilidades das perobas e
alecrins. Cedros seculares se
debruçam sobre a estrada,
hoje controversa.

O Parque Nacional do Iguaçu é um
patamar intocável da natureza, um
reduto de córregos límpidos , um
emaranhado de raízes fazendo
limite com o suntuoso Rio Iguaçu
e as terras férteis que o margeiam.
A persistir a decisão da Justiça,
o Parque será soberano em suas
entranhas. Ficará tal qual o Brasil
no seu hino: deitado em berço
esplêndido.